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HISTÓRIA

   O Município teve como primitivos habitantes aventureiro que, desiludidos de acumular riquezas fáceis dos garimpos de outras plagas, aqui aportaram devido às terras férteis, propícias à agricultura. Uma das alternativas econômicas estava na atividade agrícola; as plantações de café foram muito bem-sucedidas e transformaram a região em uma das mais ricas e importantes da capitania.

   Com o objetivo de atender às necessidades dos viajantes que iam para São João Nepomuceno - Freguesia de São Manuel e para os Rios Peixe e Pomba, hoje, Rio Pomba -, ou vindos da Corte, surgiu uma rancharia na região da Rua Nova, que se transformou no núcleo do desenvolvimento urbano da futura Mar de Espanha.

   Em 1840, o arraial possuía poucas casas, cerca de 20, e um caminho seguindo a margem direita do ribeirão São João, mais ou menos na altura do local denominado Corta-Goela, atualmente, Rua Riachuelo. Entre os sesmeiros, destacou-se Francisco Leite Ribeiro, irmão de Custódio Ferreira Leite, que fundou a Fazenda dos Alpes e a Fazenda do Louriçal. Esta última foi o grande ponto irradiador da colonização da Zona da Mata.

    O português Antônio José da Costa e o mameluco João Maquieira foram os precursores da fundação do lugarejo que recebeu o nome de "Arraial do Cágado".

   Pela Lei nº 202, de 1841, foi criada a vila de São João Nepomuceno, desmembrada do Pomba, com os distritos: Conceição do Rio Novo, Santíssima Trindade do Descoberto, Rio Pardo (Argirita), Espírito Santo (Guarará), Cágado (Mar de Espanha), São José do Paraíba (Além Paraíba), Nossa Senhora Madre de Deus (Angustura), Porto do Santo Antônio (Astolfo Dutra), Feijão Cru (Leopoldina).

   Consta que um espanhol, levado pela saudade da terra distante, teria exclamado, ao contemplar a cheia que inundava o rio Paraibuna, onde deságua no Paraíba: - "Parece um mar ... um mar de Espanha". Este o topônimo que recebeu o município, e em 10 de setembro de 1851, pela Lei n.º 514, graças à interferência e ao prestígio do barão de Aiuruoca no governo, foi transferida a sede de Vila de São João Nepomuceno para o Arraial do Cágado, que adotou o nome de Mar de Espanha.
    Em 27 de junho de 1859, Mar de Espanha passa a município. O mérito do projeto de elevação da vila à cidade cabe ao deputado Monteiro de Castro. O município recém-criado era composto dos distritos: São João de Nepomuceno, Conceição do Rio Novo, Santíssima Trindade do Descoberto, Espírito Santo de Mar de Espanha, Piau e Santo Antônio do Aventureiro.
    Nas décadas de 1840/60, Mar de Espanha apresentou grande progresso: possuía 21 sobrados, três edifícios ornados com sacadas de ferro, comércio ativo, 2.000 habitantes na sede e um movimento de exportação de café na ordem de 300.000 arrobas anuais. Em 1853, foi construído um prédio para instalação da Câmara Municipal e cadeia, onde é hoje o Clube Recreativo. Em 1859, a cidade já possuía 107 prédios registrados. 

    Em 1909, atendendo às exigências da oligarquia cafeeira local e aos interesses econômicos do município, foi construída a estrada de ferro ligando Mar de Espanha a São Pedro do Pequeri, pela The Leopoldina Railway Company Ltd., de capital inglês. A construção levou um ano para ser concluída e foi transplantada do antigo trecho Serraria-Silveira Lobo. A estrada de ferro foi desativada em 1964, sobre o pretexto de não mais atender aos interesses econômicos da região e do governo federal, que nessa época já havia encampado a companhia inglesa.

    A economia cafeeira era mantida, como em todo território nacional, pelo trabalho escravo. A partir de 1850, com o fim do tráfico negreiro (Lei Eusébio de Queirós), começa a chegar ao Brasil grande contingente de imigrantes. Inúmeras famílias de imigrantes italianos e alemães vieram para Mar de Espanha.

   Com o deslocamento da agricultura cafeeira para o Oeste paulista, a produção do café no município de Mar de Espanha entra em declínio, e com ela o desenvolvimento da região. A Crise de 1929 afeta dolorosamente a produção cafeeira e põe fim a opulência das tradicionais famílias da região. A "elite agrária" ("barões do café") entra em declínio lentamente e vai perdendo o prestígio, o poder aquisitivo e vê suas terras sendo adquiridas por outros.

   A crise do café provoca a substituição da agricultura cafeeira pela pecuária leiteira extensiva.Paralelamente à pecuária leiteira, inicia-se a exploração de recursos naturais da região: mármore e caolim, mármore (Caeira, Vila Tonetti), caolim (Klabin, na região das Nove Voltas). 

Na década de 1950, tem início outra atividade econômica: a lapidação de diamantes, com capital belga, e que, durante muitos anos, teve grande importância na sociedade mar-de-espanhense. Com o Plano Real, as lapidações entram em decadência, e surgem as malharias. 

 

FONTE: IBGE / SENAC

Gentílico: mardespanhense

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Jazida de Mármore em Mar de Espanha 1958

Fonte: IBGE

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Rua principal de Mar de Espanha (1958)

Fonte: IBGE